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sábado, 28 de janeiro de 2012

Barragem de Serro Azul

A construção dessa barragem trouxe mais dúvidas que certezas à população palmarense e, em especial, aos moradores de Serro Azul, Engenho Verde e outras localidades que serão atingidas.

O amigo Ramon de Andrade me enviou por e-mail as seguintes informações:

Tire suas dúvidas sobre a Barragem de Serro Azul

Dom, 20 de Novembro de 2011 15:12
por Ivon Sotero


Onde a barragem será localizada?

A barragem de Serro Azul será construída no município de Palmares. O lago que ela vai formar vai abranger áreas localizadas nos municípios de Catende, Palmares e Bonito.

Quanto o governo vai investir na construção da barragem?

As obras têm orçamento previsto de R$ 302 milhões. Também haverá os custos com as desapropriações que estão sendo negociadas.

Quando começa a construção da barragem?

Isso vai depender do andamento do processo de licitação, mas a previsão é que as obras comecem entre o final de 2011 e início de 2012. A conclusão da obra está prevista para maio de 2013.

Como vou saber se já preciso sair da minha casa para a construção da barragem de Serro Azul?

Todos serão avisados com antecedência. Técnicos do Itep (Instituto de Tecnologia de Pernambuco) e do Iterpe (Instituto de Terras e Reforma Agrária) estão organizando reuniões na região que vai ser utilizada para a construção da barragem. A grande maioria das famílias poderá permanecer em suas casas e cultivar suas terras durante todo o ano de 2012.

O que os técnicos vão fazer nas casas visitadas?

Eles vão conversar com os proprietários e fazer um levantamento do que eles têm (casa, benfeitorias, plantações) para que seja feito um inventário de tudo. Depois que tivermos o inventário de todas as propriedades e benfeitorias, vamos nos reunir com os proprietários para decidirmos junto com eles a melhor forma de indenização ou realocação.

Como o governo vai compensar meu prejuízo com a perda de minha propriedade, casas e plantações?

Vamos negociar com todos os proprietários de terras a serem afetadas pela construção da barragem. Vamos adotar uma solução negociada para que todo mundo seja recompensado de modo justo. Ninguém vai ter prejuízo.

Que benefícios a barragem vai trazer para Pernambuco?

O maior benefício é, sem dúvida, acabar com o sofrimento da população de Palmares, Água Preta, Barreiros e outras cidades da região, que vinham sendo prejudicadas ano a ano com perdas financeiras, perda de familiares e todo sofrimento causado pelas enchentes. A barragem terá múltiplo uso e também poderá ser usada para reforçar o abastecimento de água. Ela terá o quinto maior reservatório do Estado, com capacidade de acumulação de 303 milhões de metros cúbicos (m3).

Como vou saber quando terei que deixar minha casa ou minha propriedade?

Até o início de 2013, quem mora na região que vai ser inundada não precisa deixar sua casa, pois o enchimento da barragem só ocorrerá em maio/2013. Antes disso, só precisarão ser retiradas as famílias que moram no local onde vão ocorrer as obras de construção do paredão. Mas, todo mundo será avisado com antecedência e vamos fazer a indenização de todas as propriedades e benfeitorias que a pessoa tem.

Qual será a área inundada em Bonito?

O município de Bonito tem uma área territorial de 396 km² e terá inundada apenas 0,4% de seu território.

O Casarão do Engenho Verde em Bonito será mesmo destruído para a construção da barragem?

Foram realizados diversos estudos na tentativa de minimizar os impactos que as obras causarão, contudo a área do Casarão, infelizmente, terá que ser desapropriada para a implantação do reservatório. Isso se deve às condições naturais, principalmente ao tipo de relevo que precisamos ter para implantar a barragem, mas estamos em contato com o Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional - Iphan para a adoção de medidas que compensem os impactos que a demolição causará.

A construção da barragem afetará a mata e os animais de Bonito?

Foi realizado o estudo do impacto ambiental que resultou na identificação de medidas compensatórias e programas de controle ambiental para minimizar os prejuízos ao meio ambiente. O estudo foi apresentado em audiência pública para toda a população interessada.

As cachoeiras de Bonito serão atingidas pela barragem?

Não. A barragem será localizada na parte baixa do rio Una, de forma que não afetará, de nenhuma maneira, as famosas cachoeiras de Bonito. A única cachoeira que poderá ser afetada de alguma forma é a Véu da Noiva II e isso apenas por alguns dias quando houver enchentes no rio Una.

Como a cachoeira Véu da Noiva II poderá ser afetada?

Ela só será afetada quando a barragem estiver muito cheia. Mas, isso não quer dizer que ela vai acabar, pois é só o nível da água da barragem baixar que a cachoeira voltará a aparecer da mesma forma. A construção da barragem Serro Azul tem até mesmo um ponto positivo que pode melhorar ainda mais o turismo em Bonito, pois com o lago que se formará com a barragem, durante todo o ano poderão ser desenvolvidas atividades náuticas no reservatório, como passeios de barco.

A construção da Barragem Serro Azul vai inundar a PE-103 que liga o distrito de Serro Azul (em Palmares) a Bonito?

Apenas um trecho de 12 quilómetros deve ser inundado. Esse trecho Vai ter que ser reconstruído com outro traçado para que o acesso a essas localidades seja garantido. É uma alteração necessária devido ao tamanho do lago da barragem. O governo do estado orientou o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e o próprio departamento fará o desvio da estrada entregando uma estrada nova. Esse processo já esta em estudo e andamento, visando não causar maiores transtornos às comunidades.

A construção da Barragem Serro Azul vai inundar áreas onde a ferrovia Transnordestina deveria passar?

Sim. O tamanho que essa barragem precisa ter para garantir a proteção da população da Mata Sul torna necessário que uma grande área seja inundada. Assim, o traçado da ferrovia Transnordestina terá que ser alterado. Como a obra ainda não tinha chegado nessa região, o governo do estado já está em entendimento com os executores da obra da Transnordestina para fazer as mudanças necessárias para conciliar os dois projetos e ambos poderem trazer benefícios para essa região.

A Transnordestina não mais passará por Bonito?

Ainda é possível que o novo projeto do traçado contemple o município de Bonito, vai depender das possibilidades técnicas.

Com as mudanças na PE-103 e na Transnordestina existe mais investimento de dinheiro público do que estava previsto. Isso é realmente necessário?

Não havia como prever inicialmente o tamanho que a barragem teria que ter. Isso só foi possível com uma avaliação técnica das áreas disponíveis. A construção da barragem é uma ação prioritária para o governo de Pernambuco porque as enchentes estão trazendo muito prejuízo e sofrimento aos moradores da Mata Sul. As adaptações vão ser necessárias e o que vai se gastar a mais é justificado pela necessidade e importância social e económica da Barragem de Serro Azul.

Como posso tirar outras dúvidas sobre a barragem Serro Azul?

O governo vai implantar um escritório no Engenho Verde, em Palmares, destinado a prestar informações à população e também cuidar das negociações e indenizações com os proprietários que tiverem que ser afetados pela construção da barragem.

Mais Informações:
Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos de Pernambuco
Av. Cruz Cabugá, 1111 - Santo Amaro
Recife/PE CEP: 50.040-000
www.srhe.pe.qov.br

 

Dúvidas Hoje, 28 de janeiro de 2012, o Diário de Pernambuco divulgou a notícia de que o governador Eduardo Campos assinou a ordem de serviço que autoriza as obras da barragem de Serro Azul.

A barragem custará R$ 246 milhões e terá a capacidade de represar 303 milhões de metros cúbicos de água, o equivalente a uma vez e meia o volume que devastou Palmares, Água Preta e Barreiros há dois anos.

As obras começam na segunda feira, 30 de janeiro e se estendem por 18 meses.

Os números são impressionantes, com 1 km de paredão e 65 metros de altura será a 5ª maior barragem do estado.

Tendo o objetivo de controlar as cheias do rio Una, vai operar na maior parte do tempo com apenas 33% de sua capacidade total, o que equivale a 101 milhões de metros cúbicos.

Serão desapropriadas 460 propriedades rurais. Na primeira fase serão demolidas 34 propriedades no distrito de Serro Azul.

A área total inundada será de 907 hectares, sendo 4,3 km² de Palmares, 2,99 km² de Catende e 1,74 km² de Bonito.

Barragens a serem construídas - em números

Serro Azul

Local - Palmares, Catende e Bonito, no curso do Rio Una
Investimento - R$ 246 milhões
Duração - 18 meses
Capacidade - 303 milhões de metros cúbicos de água

Gatos

Local - Lagoa dos Gatos, no curso do Riacho dos Gatos
Investimento - R$ 10,2 milhões
Duração - 12 meses
Capacidade - 6,3 milhões de metros cúbicos de água

Panelas II

Local - Cupira, no curso do Rio Panelas
Investimento - R$ 38 milhões
Duração - 12 meses
Capacidade - 17 milhões de metros cúbicos de água

Igarapeba

Local - São Benedito do Sul, no curso do Rio Pirangi
Investimento e duração - ainda indefinidos
Capacidade - 42,5 milhões de metros cúbicos de água

Barra de Guabiraba

Local - Barra de Guabiraba, no curso do Rio Sirinhaém
Investimento e duração - ainda indefinidos
Capacidade - 16 milhões de metros cúbicos de água

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Engenho Paul

A casa grande do engenho Paul mantém características da época em que foi construída.

Localizada em terreno de cota inclinada, possui porão parcial frontal. Neste pavimento, o terraço em alvenaria em forma de “U”, exibe vãos abertos em arco pleno, característica da influência de Vauthier. O acesso à área residencial é feito através de degraus semicirculares e concêntricos, dispostos em sua fachada lateral direita. Com cobertura em duas águas, possui telhado mais alto e independente do telhado do alpendre. A cobertura do alpendre é apoiada em colunas de madeira e o guarda corpos é no mesmo material. Os vãos abertos são em arcos plenos e possuem cercaduras em massa. Utilizada como residência. Apresenta bom seu estado de conservação.

sábado, 4 de julho de 2009

Usina Serro Azul

Usina Serro Azul 

 

A Usina Serro Azul foi construída na metade do século XIX, entre os anos de 1896 a 1929, pelo  coronel José Piauhylino Gomes de Melo Filho.

O engenho Camevou, nas margens do rio Una, local onde foi construída a Usina Serro Azul, fica a 22 quilômetros de distância da sede do município de Palmares. A maquinaria original foi trazida da Inglaterra. Interessante que o coronel batizou a nova usina por ele construída mudando apenas a letra final de Serra para Serro.

Além de administrar a Usina Serra Azul em atividade, incluindo campo agrícola e indústria, o coronel José Piauhylino dirigia os trabalhos da nova construção. Nos sete dias da semana, fazia o percurso a cavalo entre as duas usinas, saindo de casa às 4 horas da madrugada e regressando às 10 horas da noite, sem acompanhante. Achava ele que ninguém se atreveria a emboscá-lo, muito menos a enfrentá-lo. O trecho entre as duas usinas era uma verdadeira travessia de matas virgens, ladeiras, lama e sem habitações. Quando chegava na casa grande da Usina Serra Azul, estava à sua espera, seu estribeiro de confiança – Veríssimo Gomes – sentado no terraço da casa, às vezes já ultrapassando de meia noite. Na época do inverno regressava molhado e sujo de lama. Deixava as botas sujas na calçada, após fazer a rotineira recomendação: “Veríssimo! às 4 horas da manhã eu quero o cavalo pronto e as botas enxutas”. E, na hora marcada, lá estava o animal e as botas, conforme o coronel dissera. Usava para o trabalho, dois pares de botas. Veríssimo sempre teve o cuidado de cumprir as determinações pontualmente, antecipando-se 10 minutos da hora marcada. Nunca ouviu a 4ª badalada do grande relógio de parede da sala, sem o coronel depois de alguns segundos lhe dar bom-dia! Esse regime de trabalho durou até 1922, quando a Usina Serro Azul moeu e o coronel passou a residir na usina nova. MOURA  (1998)*

A usina chegou a possuir 22 engenhos, onde plantava a cana de açúcar para sua produção: Camevou (a sede), Camevouzinho, Liberdade, Aratinga, Fertilidade, Floresta, Serra Azul (a antiga usina), Moscou, Aliança, Mágico, Verde, Mearim, Canário, União, Riachuelo, Penderaca, Vista Alegre, Tambor, Almirante, Rosa Murcha, Barra do Dia e Pará.

Casa grande da Usina Serro Azul antes da desapropriaçãoCasa grande da Usina Serro Azul antes da desapropriação 

Casa Grande da Usina Serro Azul - detalhe da escadaria fotografado por Valdir Pedrosa Casarão da Usina Serro Azul fotografado por Valdir Pedrosa

Casa Grande daUsina Serro Azul fotografado por Valdir Pedrosa Casa Grande da Usina Serro Azul - detalhe do terraço frontal fotografado por Valdir Pedrosa

Casarão da usina, residência dos proprietários, em alvenaria de tijolos sobre calçada alta, tem acesso através de escadaria em três lances. Seu alpendre em forma aproximada em “U” tem telhado independente apoiado sobre colunas quadrangulares em alvenaria. Os guarda-corpos são em elementos no mesmo material. O telhado principal é protegido por platibanda recortada, com delicados adornos em massa e pináculos.

Após a morte do coronel, em 22 de novembro de 1951, a usina passou a ser administrada por seus filhos e genros.

  • Plácido Gouveia de Melo - escritório geral no Recife
  • Waldecir Gouveia de Melo – a indústria
  • Fernando Gomes de Melo – o campo (engenhos)
  • Clóvis Gouveia de Melo – engenho Serra Azul (antiga usina)
  • Paulo Gouveia de Melo – engenho Liberdade
  • Fernando Lúcio (genro) – engenho Camevouzinho
  • Edgar Carneiro Leão (genro) – engenho Liberdade

Em 1967, para sobreviver, os proprietários solicitaram ao Instituto do Açúcar e de Álcool (IAA) que realizasse uma intervenção na indústria. Medida esta aprovada pelo então presidente da república marechal Arturo da Costa e Silva.

A família Gouveia de Melo afastou-se e foi residir no Recife. Os antigos funcionários permaneceram em seus cargos. Algumas das melhores casas foram desocupadas para hospedar a equipe de interventores. Era o começo do fim…

Estiveram à frente do processo de intervenção os senhores Luiz Lacerda, Aluízio Ferreira Baltar, Arlindo de Almeida e Zacarias Ribeiro, todos funcionários do IAA.

A intervenção acabou em 1973, quando a usina foi vendida para Fernando Antônio Torres Rodrigues, juntamente com a Usina 13 de Maio, atual Usina Vitória, situada no engenho Catuama, na periferia da sede do município.

Apesar das melhorias implantadas na Serro Azul, o Sr. Fernando é o responsável pela derrubada das matas virgens e o arrendamento dos engenhos, transferindo assim a administração dos mesmos para outras pessoas.

Infelizmente a crise reapareceu. Em 1982, o próprio  Sr. Fernando conseguiu a desapropriação da usina e dos engenhos, que passou a ser administrada pela Cooperativa Agrícola Tiriri.

Usina Serro Azul em 2004Usina Serro Azul 2008

Desativada e abandonada, o patrimônio se encontra totalmente destruído pela ação do tempo.

A área ocupada pela Serro Azul foi promovida a distrito. A rodovia PE-103, recentemente inaugurada, faz a ligação do distrito de Serro Azul com a sede dos munícipios de Palmares (22 km) e Bonito (23 km), trazendo esperança de melhores dias.

 

*MOURA, Severino rodrigues de. Senhores de Engenhos e Usineiros, a Nobreza de Pernambuco. FIAM, CEHM, SINDAÇÚCAR. 1998. Coleção Tempo Municipal. vol 17

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Engenho Verde

Casa Grande do Engenho Verde Casarão do Engenho Verde cuja construção data do ano de 1841, primeira metade do século XIX.

Projetado pelo engenheiro e político francês Louis Léger Valher que nasceu em Bergerac, no ano de 1815, formado pela Escola Politécnica de Paris, em 1834, onde recebeu o diploma de engenheiro de pontes e calçadas. Veio para o Brasil, em 1839, com 24 anos de idade, trazido pelo Presidente da Província de Pernambuco, Francisco do Rego Barros, o Conde da Boa Vista.

Foi responsável pela construção do Teatro Santa Isabel em 1850, após ter construído o Casarão do Engenho Verde, quando na ocasião aqui se encontrou depois da estrada na cidade de Água Preta, por influência de Antônio do Rego Barros, detentor das terras de toda Região da Zona da Mata Sul, por afinidades com o Governo do segundo Império e do seu primo,o então Presidente da Província de Pernambuco em meados dos anos de 1838.

O estilo que identifica o Casarão é o neoclássico, com seus arcos que retratam a história dos usineiros e coronéis que viveram no período de introdução da monocultura da cana-de-açúcar.

Seu alpendre em arcos de alvenaria e plantilhário de inspiração neoclássica, com porão parcial cuja porta de acesso encontra-se entaipada é em alvenaria de tijolos.

Sua estrutura externa é entornada e marcada por plantas ornamentais e pomares das mais diversas frutas da região. Ainda preserva piscina de água natural em retângulo, estilo britânico de formas elaboradas quando da presença inglesa na Índia no continente Asiático.

A mobília preserva escrivaninha, armários, cadeiras, mesas em estilo colonial, bem como os quartos com portas e janelas refletindo a época da influência britânica neoclássica.

O Engenho Verde guarda mobília e estrutura a lembrança do seu ilustre filho, Hermilo Borba Filho que nasceu no Casarão em 08 de Julho de 1917, vivendo até os 16 anos com seus pais Hermilo Borba Filho ( Senhor de Engenho) e Irinéia Portela de Carvalho, quando aprendeu as primeiras formas de escrever crônicas, dramaturgia e artigos os mais diversos.

O nome “Engenho Verde” deriva do rio de mesmo nome que o perpassa, cortando-o de forma afiada com suas águas de cor verde refletindo a densa mata (que já não existe), com folhagens das mais diversas plantas, resultado natural de uma estrutura geobotânica rica predominantemente contida em área às vezes acidentadas e às vezes planas, marca maior da estrutura geográfica da localidade.

Texto escrito por Jadiel Barbosa durante a realização do projeto Vivendo Palmares.

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